sábado, 2 de novembro de 2013

Existe algo mais racista do que cotas?

A arbitrária política de cotas raciais é a maior expressão do racismo contemporâneo. Para o governo seres humanos deixam de ser indivíduos e tornam-se "pessoas de cor X". Onde deveria existir liberdade e igualdade, criam-se grupos de conflito. Existe algo mais racista do que cotas?

Nesta última semana uma decisão arbitrária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados reacendeu o polêmico debate sobre as cotas raciais no Brasil. Pela proposta do deputado petralhista Luiz Alberto (BA), o Congresso terá cotas para negros, tal como ocorre nas universidades. Segundo o Estadão, "a cota valerá para a Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmara Legislativa do Distrito Federal por cinco legislaturas a partir da promulgação da emenda, prorrogáveis por até mais cinco legislaturas".

Isto foi previsto pelo geógrafo e sociólogo Demétrio Magnoli há quase dois anos atrás: em uma entrevista para o Instituto Millenium ainda em 2012, Magnoli abriu o olho para o futuro das cotas raciais no Brasil. Seria cada vez mais provável, segundo este, a ocorrência de uma "generalização de cotas raciais no funcionalismo público e no mercado de trabalho privado em geral", porque "não há nenhuma diferença" nos argumentos que serviriam para justificar as cotas. É, daqui a pouco dá-lhe cotas em empresas!
Demétrio Magnoli e sua luta pela igualdade: seres humanos são seres humanos.

O Brasil é vira-lata. Somos um caldeirão racial, que convive bem com a miscigenação. Ainda em 2011, a Revista Veja publicou uma matéria na qual dois irmãos gêmeos idênticos foram considerados de raças diferentes: um "negro" que passou pela política de cotas universitárias, e um "branco" que não passou. Em um "país vira-lata", critérios ficam subjetivos demais: segundo estudo da UFMG divulgado na reportagem, 87% dos brasileiros têm pelo menos 10% de genes de origem africana. Toquemos na ferida: até que ponto uma pessoa pode ser considerada negra o suficiente para merecer ser recompensada pelo sofrimento de seus antepassados? Evidentemente, isso os cotistas não sabem ou não querem responder.

Reportagem da Veja evidencia o óbvio: Brasil é um país vira-lata: Na foto, irmãos gêmeos idênticos, um "negro", e um "branco".

Outra questão não menos importante é a legitimidade destas cotas. Se o objetivo é corrigir o sofrimento antepassado, quais seriam os grupos privilegiados? Por que motivos só os negros teriam direito à cotas? E os imigrantes italianos que faziam trabalhos servis nas fazendas de café? E os imigrantes japoneses que morreram nos navios em direção ao Brasil? Por que não ajudar os brancos pobres? Ora, os negros foram escravizados, eu sei. Mas nem todos...

Outra da Veja: Pessoas não são 100% brancas ou 100% negras, como dizem as camisetas, mas sim, são constituídas de composições diferentes. E aí: qual o nível de negritude aceito para as cotas?

Leandro Narloch, em seu excelentíssimo Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, aponta que a visão dualista entre "branco opressor" e "negro escravizado" é falsa. Na verdade, durante o brasil colonial existiam negros com escravos! Inclusive, o próprio Zumbi dos Palmares possuía mão de obra escrava. Vale ressaltar também, que segundo o mesmo autor, a própria sociedade africana era dividida fortemente entre reis, generais e escravos. Independentemente da colonização européia, escravo era coisa banal em terras africanas. Isto levanta outra questão: se a cota é para os negros, quais destes seriam beneficiados? Como diferenciar os negros cujos antepassados "foram escravizados" e os "que tinham escravos"? Que coisa mais racista, não?

Meu nome é Zumbi. Eu tinha escravos, como os opressores brancos. 
Será que meus bisnetos deveriam ter cotas?

Ora, o que fazer sem as cotas? Como fazer com que os negros sejam iguais aos brancos? É simples! Siga a constituição, como Magnoli sugeriu! Ou pare de falar em racismo! Pessoas não são tabuleiros de xadrez, mas sim simplesmente indivíduos! Assim que o Congresso aprovou cotas para deputados, Reinaldo Azevedo publicou em seu blog alternativas para o sistema de cotas. Seriam estas:  "a) políticas públicas e universais que capacitem os mais pobres — o que será bom para todos, brancos, negros e mestiços (exemplo: escola pública decente); b) políticas SUPLEMENTARES de promoção dos vulneráveis. Nesse caso, o governo federal poderia, por exemplo, financiar uma espécie de curso pré-vestibular para estudantes comprovadamente carentes".  Meteu a real. Depois dessa, não preciso escrever mais nada.

Desde o Nazismo de Hitler ao Aphartheid sul-africano, todos os governos que falaram em nome da raça fizeram políticas autoritárias e desumanas. Não se deve construir uma sociedade baseada na raça, mas sim em liberdades individuais!

Negros não são negros, são seres humanos.
Brancos não são brancos, são seres humanos.
E, seres humanos são simplesmente seres humanos.

Fontes:



Leandro Narloch: Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil.
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